Catarina Vila Real, Nutricionista (2009N)

Água: tão básica, tão indispensável

Todos nós sabemos que beber água é vital, mas saberemos porquê? A bebida mais simples de todas é no fundo a bebida mais importante de todas. É indispensável durante todo o ano, durante todo o nosso ciclo de vida, mas há períodos da vida e alturas no ano em que merece especial destaque.

A água é um bem essencial, que desempenha diversas funções no nosso organismo, entre as quais se podem destacar:
– Regular a temperatura corporal, mantendo-a dentro de níveis normais;
– Actuar como o principal solvente do nosso organismo;
– Agir como lubrificante em vários órgãos e outras partes do corpo;
– Proteger tecidos mais sensíveis;
– Actuar como meio de transporte de iões e moléculas, principalmente nos processos de transporte intra e extracelular;
– Participar na eliminação de resíduos através da micção, transpiração e movimentos intestinais.

A água é constituída por moléculas de hidrogénio e oxigénio ligadas entre si, sendo o seu símbolo químico H2O. A presença de compostos inorgânicos na água depende de alguns factores como o clima e o meio envolvente, nomeadamente o tipo de rochas e de solo. Outras causas como a influência humana, as actividades agrícolas, o tratamento e a distribuição das águas pode também ter influência nesta composição. Os minerais mais abundantemente encontrados na água são o cobre, o ferro, o zinco, o níquel, o chumbo e o cádmio (1). O selénio, cloro, fluor, sódio e magnésio também são frequentemente encontrados em água para beber (1). Alguns deles ocorrem naturalmente enquanto outros são intencionalmente adicionados. Os seus níveis devem ser controlados de forma a não haver teores demasiado elevados nas águas à disposição do consumidor. Para além deste controlo, a água deve ser analisada para garantia da sua segurança e qualidade para o consumidor, sendo para este efeito avaliados parâmetros como a presença de contaminantes, a presença de coliformes totais/fecais e o pH (2).

Utilização da água
As pessoas usam a água para uma variedade de actividades ao longo do dia. Dependendo de vários factores as prioridades no uso da água podem diferir de população para população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma forma muito geral, a água é requerida para três fins: sobrevivência, nomeadamente para beber e produzir alimentos (2,5 a 3 litros/dia/pessoa), práticas de higiene básicas (2 a 6 litros/dia/pessoa) e para cozinhar (3 a 6 litros/dia/pessoa). No entanto a OMS salvaguarda que estas quantidades dependem de alguns factores como o clima, a fisiologia individual, os costumes sociais e culturais e dos padrões alimentares 3. A figura 1 mostra a hierarquia das necessidades de água em situações de emergência, sugerida pela OMS (3). Nestas situações as necessidades de água estão ligadas a prioridades, conforme mostra o diagrama da figura. Está demonstrado que a quantidade mínima de água potável necessária para realizar as atividades essenciais para saúde e higiene é, em média, de 20 litros per capita por dia (3).

Deixo aqui um vídeo (em inglês) que apresenta um resumo das principais funções da água nas mais diversas áreas (https://www.youtube.com/watch?v=BCHhwxvQqxg).

Consumo recomendado
A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) recomenda um consumo de 2,5 litros de água para os homens e 2,0 litros para as mulheres por dia, através de alimentos e bebidas. Cerca de 70% a 80% deste consumo diário deve advir de bebidas e os restantes 30% a 20% deve advir dos alimentos (4). Aconselho a todos os leitores a verem este animado vídeo (em espanhol, com legendas em português) alusivo ao consumo diário ideal de água (https://www.youtube.com/watch?v=wAwfZhvQBPM). Para além do género, a idade é também um factor determinante no que respeita às necessidades desta bebida. Na tabela abaixo estão descritas as quantidades recomendadas para as diferentes faixas etárias de homens e mulheres.

Tabela 1: Quantidades recomendadas de consumo de água para as diferentes faixas etárias de homens e mulheres, de acordo com as EFSA (2010) e Food and Nutrition Board (2004) (5).

Adaptado de EFSA, 2010 e Food and Nutrition Board, 2004. *Ingestão adequada segundo as doses diárias de referência  (Food and Nutrition Board, 2004).

Há algumas situações em que a ingestão de água deve ser maior, nomeadamente: quando a temperatura ambiente é mais elevada, quando se faz exercício físico, quando se tem febre e ainda em situações de ocorrência de diarreia/vómitos.

  1. Consumo de água actual em Portugal
    Segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física (2015 – 2016) 6, o consumo médio de água da população Portuguesa é de 795 g/dia (795 ml/dia). Apesar de ser a bebida mais consumida pela população, foi reportada por apenas 88% dos inquiridos, o que significa que há uma percentagem considerável de pessoas que não ingere água.Aqui ficam algumas estratégias para aumentar o consumo de água, entre elas:
    – levar consigo uma garrafa de água (de 0,5L ou de 1,5L; como lhe for mais conveniente);
    – misturar na água gotas de limão fresco ou gengibre, de forma a tornar mais apelativa a bebida (sem adicionar açúcar);
    – beber chás ao longo do dia;
    – beber água às refeições em vez de refrigerantes ou bebidas alcoólicas;Algumas curiosidades:
    – Beber água em excesso também é prejudicial, no entanto o consumo excessivo é muito raro. Uma das principais consequências de beber água a mais é a concentração anormalmente baixa de sódio no sangue (hiponatremia), que pode provocar edema resultante do movimento do excesso de fluído do sangue para as células dos tecidos;
  • – Pode perceber facilmente se está desidratado se observar alguns destes sintomas: prisão de ventre; pele e boca seca; urina com cor escura (amarela escura ou acastanhada); fadiga muscular; dores de cabeça; sede aumentada;
  • – A desidratação pode acontecer por consumo excessivo de álcool, se não houver reposição dos líquidos perdidos. O álcool é um diurético, e naturalmente o seu consumo vai provocar um aumento da frequência da micção, pelo que é extremamente importante compensar as perdas;
  • – Segundo a Entidade Reguladora de Águas e Resíduos, “a percentagem de água segura em Portugal Continental é de 98,65%, um valor considerado de excelência”. Neste site (http://www.ersar.pt/pt/site-consumidor/site-qualidade-da-agua) pode ainda consultar a percentagem de água segura no seu concelho.
  • – A água da torneira não sendo engarrafada, não produz resíduos, uma vantagem que diminui o desperdício de plástico;
  • – Em Portugal, o grupo Águas de Portugal desenvolve uma função estruturante no setor do ambiente em Portugal com atividade nos domínios do abastecimento de água e do saneamento de águas residuais, sendo as suas empresas responsáveis pela captação, tratamento e abastecimento de água para consumo público, pela recolha, tratamento e rejeição de efluentes domésticos, urbanos e industriais e de efluentes provenientes de fossas sépticas.

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. World Health Organization. Nutrients in Drinking Water – Water, Sanitation and Health Protection and the Human Environment World Health Organization Geneva. (2005).
2. Centers for Disease Control and Prevention. Drinking Water. CDC 24/7 Saving Lives. Protecting People. (2012).
3.  Brian Reed & Bob Reed. How much water is needed in emergencies. Tech. NOTES Drink. Sanit. Hyg. EMERGENCIES 1–4 (2013).
4. World Health Organization, I. P. of C. S. Guidelines for drinking-water quality. Recommendations. (1993).
5.  Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes for Water, Potassium, Sodiu, Chloride, and Sulfate. (2004).
6.  Carla Lopes et al. Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física 2015-2016. (2016). Porto.

Por:
Catarina Vila Real, Nutricionista (2009N)
Nota: Por opção da autora, a redacção deste artigo não segue o novo acordo ortográfico.

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